Dia 22 de Outubro - Dia Internacional da Gaguez

Out/15

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Baseando-se num estudo norte-americano, a Associação Portuguesa de Gagos (APG) afirma que, no mundo, mais de 68 milhões de pessoas sofrem de gaguez. Em Portugal estima-se que sejam à volta de 100 mil.

A gaguez é uma patologia da comunicação que pode ter origem genética (60% dos gagos têm um familiar que gagueja), contudo estudos recentes revelam que esta pode estar associada a questões neurológicas. São também usados argumentos psicossociais, defendendo que as exigências do meio envolvente, o desenvolvimento linguístico na infância e até a forma como a família lida com os primeiros sinais de gaguez, são relevantes. No entanto, adultos e crianças que sofrem de gaguez não têm mais problemas emocionais do que os que têm fluidez de discurso. 


A gaguez pode desenvolver-se entre os dois e os cinco anos da criança, surgindo normalmente aos três anos. Esta patologia afeta tanto a criança como todo o seu meio envolvente. Normalmente, nas crianças, está associada a sentimentos de tristeza, irritação e frustração por esta não conseguir comunicar com os outros de forma fluida. Os pais e familiares sentem-se impotentes por não saberem como ajudar nem conseguirem “curar”. A sociedade, em geral, impressiona-se com a dificuldade de comunicação e, muitas vezes, não reage da melhor forma. 


A Associação Portuguesa de Gagos refere que existe falta de informação sobre a gaguez em Portugal, o que conduz a um conjunto de estereótipos e respostas desajustadas, sugerindo que a melhor forma de lidar com a gaguez é falar de forma aberta com os interlocutores. 


No entanto é de salientar que existe tratamento, recorrendo a terapeutas da fala, proporcionando mais confiança e auto estima à pessoa gaga, o que auxiliará a fluidez do seu discurso.


Se é professor e tem de lidar com esta realidade aqui ficam algumas dicas:


O que se deve fazer?
- a criança com gaguez deve ser tratada como se tratam as outras crianças;
-deve-se tomar atenção ao que a criança diz e não ao modo como esta se pronuncia. Caso se note que a criança está ansiosa, deve-se dizer que não tem pressa, que ela pode falar à vontade;
- depois de ouvir a criança pode repetir-se, por outras palavras, o que ela disse, como forma de mostrar que se percebeu a mensagem, tornando a conversa natural. Assim a criança sentir-se-á mais segura;
- enquanto se fala com a criança gaga deve diminuir-se a velocidade da elocução, marcando bem as pausas e olhando-a sempre nos olhos;
- como forma de diminuir a ansiedade da criança, pode fazer-se perguntas de respostas curtas, adotando esta estratégia até se verificar um maior à vontade entre a criança gaga e a turma;
- a leitura deverá ser feita aos pares, como forma de diminuir a pressão na criança gaga;
- num momento em que a criança não esteja na sala (um dia que não vá à escola), deve-se ter uma conversa com a turma, de forma a elucidar acerca dos comportamentos que devem ter perante o/a colega.

O que não se deve fazer?
- dizer à criança para parar de gaguejar;
- pedir para pensar primeiro no que vai dizer, respirando antes de falar;
- terminar as frases da criança gaga, pressupondo as palavras que esta vai utilizar;
- interromper o discurso, pedindo para respirar e depois terminar a frase;
- mostrar impaciência, desconforto e  irritação por ouvir a criança a falar.

Helena Patrício (professora) e Ana Amado (Terapeuta da Fala)